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De onde vem o sofrimento?

Psicologia e Mindfulness

A vida possui alguns estressores naturais e diante deles podemos fazer pouco ou quase nada. Existe o barulho que a cidade grande faz, o trânsito caótico, os diversos compromissos, a vida cada vez mais atribulada.

Essas situações muitas vezes não mudam apesar dos nossos movimento e além destes estamos sujeitos a todos os tipos de fatores estressores que a vida pode trazer.

E o que sempre podemos mudar é a nossa resposta, a forma como me relaciono com os eventos estressores. Alguns autores defendem a ideia de que existem dois tipos de sofrimento, o sofrimento primário e o sofrimento secundário. Como exemplo podemos citar hoje um dos grandes mal do século, a ansiedade. Ansiedade em um grau baixinho é benéfica, te prepara para alguma coisa que ainda vai acontecer. Mas como é sabido, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Se há uma resistência a esta ansiedade outros tipos de emoções começam a serem geradas: raiva por estar ansioso, tristeza por estar ansioso, medo por estar ansioso. É desencadeada uma serie de emoções que não tem nada a ver com a ansiedade, sofrimento primário. Cria se uma camada de sofrimento em torno da ansiedade e a eles damos o nome de sofrimentos secundários. Perceba que o sofrimento aumenta à medida em que ele é negado, resistido. É a partir daí que nossa mente cria uma série de reações físicas e emocionais que agravam a situação.

Nossa espécie desenvolveu a incrível capacidade de criar sem ser no plano físico, fazemos isso através da nossa imaginação. Ocorre que muitas vezes não fazemos um bom uso desta capacidade, então diante de uma situação desafiadora, a mente começa a trabalhar todos os cenários possíveis e de maneira geral, enfatiza os mais catastróficos. O cérebro não consegue distinguir o que é real e o que não é, desta forma, se existe um desafio a ser resolvido com o cenário feito pela mente somos tomadas por outras emoções, sofrimento secundário. A proposta da psicoterapia associada ao mindfulness vai além do não resistir ao sofrimento, mas de possibilitar um espaço em que a pessoa possa entrar em contato com essas emoções. É aceitar, acolher e integrar tais emoções. Desta forma, a mente não reage, não cria mundos paralelos e é possível ater-se somente ao sofrimento primário, que por si só, já pode ser suficientemente doloroso.

Este é um dos grandes ganhos da psicoterapia associada ao mindfulness.

Alguns sofrimentos são inevitáveis, mas de vários outros criados pela nossa mente podemos ser poupados.

Todo sofrimento que existe neste momento precisa ser acolhido e integrado.

Laila Carolina Resende

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